Ansiedade e estresse
Saiba o que são ansiedade e estresse, como eles influenciam seu bem-estar e quando buscar ajuda profissional.
Psicóloga Glória Derlan
5/31/20265 min read
Ansiedade e Estresse: Entenda Como Eles Afetam Sua Mente e Seu Corpo
A sensação do estresse e da ansiedade pode ser sentida como aquela pressão constante de estar sempre correndo, respondendo, resolvendo — e mesmo assim sentir que nunca é suficiente. Falar sobre isso é importante porque, quando ignorados por tempo demais, deixam marcas na saúde.
O que acontece quando o corpo entra em alerta
O estresse não é (por si só) um inimigo. É uma resposta biológica que existe há milênios — o mesmo mecanismo que ajudou nossos ancestrais a escapar de predadores é ativado hoje quando recebemos um e-mail difícil do chefe ou quando as contas do mês não fecham. O neurocientista Robert Sapolsky dedicou décadas a estudar esse fenômeno e chegou à conclusão de que o problema não é o estresse pontual, mas a ausência de alívio: quando o organismo permanece em estado de alerta sem descanso, gerando um acúmulo. Uma pessoa com estresse contínuo pode sentir:
O que o estresse prolongado faz com o cérebro
Pesquisas do neurocientista Bruce McEwen mostraram que o estresse crônico não afeta o cérebro de maneira uniforme. A amígdala e o hipocampo são regiões particularmente sensíveis — e o que acontece com cada uma delas segue direções opostas.
A amígdala, estrutura envolvida no processamento do medo e na leitura de ameaças, tende a ficar mais reativa sob estresse contínuo. Ela passa a disparar alertas com mais facilidade, mesmo diante de situações que não representam perigo real. O hipocampo, por outro lado — fundamental para a memória e para a regulação emocional —, tende a perder eficiência. É por isso que pessoas sobrecarregadas frequentemente relatam lapsos de memória, dificuldade de concentração e uma sensação de que as emoções simplesmente não obedecem. Essa combinação ajuda a compreender o que alguém que vive sob estresse crônico/intenso sente.
Ansiedade: quando o sistema de alerta não desliga
A ansiedade tem uma função parecida com a do estresse — ela nos prepara para enfrentar o que ainda não aconteceu. Antecipar riscos, planejar, se precaver: tudo isso envolve um certo grau de preocupação, e isso é natural, esperado e positivo até certo ponto. O problema começa quando esse sistema de antecipação fica desproporcional à realidade. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, os transtornos de ansiedade são os problemas de saúde mental mais comuns no mundo, podendo afetar qualquer pessoa — embora quem já vivenciou abuso, perdas significativas ou outras experiências adversas tenha maior probabilidade de desenvolvê-los. Uma pessoa cronicamente ansiosa pode sentir:
Pessoas com ansiedade elevada tendem a identificar ameaças onde outros não as vêem, e a magnitude dos riscos percebidos costuma ser maior do que a situação justificaria. Uma mensagem sem resposta vira evidência de que algo deu errado. Um silêncio numa conversa se torna sinal de rejeição. Esse processo acontece de forma rápida e automática, antes mesmo que haja tempo para avaliar a situação com calma — e cada interpretação catastrófica alimenta o ciclo seguinte.
Estresse e ansiedade: um ciclo que se retroalimenta
Os dois fenômenos raramente aparecem isolados. O estresse prolongado aumenta a vulnerabilidade à ansiedade; a ansiedade, por sua vez, faz com que situações cotidianas sejam lidas como ameaças — o que gera mais estresse. Quando esse ciclo se mantém por meses ou anos, os efeitos vão além do emocional: o sono se prejudica, o corpo acumula tensão, os relacionamentos sofrem, e a capacidade de tomar decisões se estreita.
A pandemia de Covid-19 trouxe evidências robustas sobre isso. Pesquisas brasileiras, como a conduzida por Barros et al. (2020) com mais de 45 mil adultos, documentaram um aumento expressivo nos relatos de tristeza, nervosismo e distúrbios do sono durante o período de isolamento. Não foi coincidência: foi o resultado previsível de uma população exposta a incerteza, perda e pressão contínua, sem perspectiva clara de quando aquilo terminaria.
Estudos internacionais também apontam que uma parcela significativa das pessoas que vivem com transtornos de ansiedade não recebe tratamento adequado — seja por falta de acesso, por estigma ou por não reconhecer os próprios sintomas como algo que merece atenção clínica.
Quando buscar ajuda
Sentir ansiedade ou estresse em momentos de pressão é parte da experiência humana, mas quando esses estados deixam de ser passageiros e passam a moldar a vida cotidiana de forma limitante, isso é um sinal de que vale buscar apoio. Cuidar da saúde mental é uma forma concreta de preservar a capacidade de viver bem.
A psicoterapia não funciona como um botão de desligamento para o estresse ou a ansiedade. O que ela oferece é algo diferente: um espaço para entender de onde vêm esses padrões, o que os mantém e como é possível respondê-los de outra forma. Ao longo do processo, a psicoterapia ajuda a desenvolver recursos internos para atravessar períodos de dificuldades sem que elas consumam você.
Leia também: Entenda a relação entre autoestima e depressão
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Bibliografia consultada
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Sapolsky, R. M. (2004). Why Zebras Don't Get Ulcers.








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